-Marlonbrando tudo até a última ponta.
Eu gosto de assistir as pessoas. Não que eu seja o sociopata tímido escondido no porão tentando ver o vizinho trocar de roupa, oks. Até que isso não seria uma má idéia já que o vizinho é deveras gostoso. Mas o ponto é que eu gosto de assistir e criticar o comportamento alheio. É uma coisa do ser humano isso, né? Tudo que a gente faz de errado é sempre menor do que os outros fazem de errado e life goes on e tudo mais.
O que eu percebo hoje em dia éuma grandissíssima patrulha tomando conta pra que todo mundo faça as coisas certas. Pelo menos as coisas que essa patrulha considera certo, manja? É um sinal. Como diria Bob Dylan: The times they’re a-changing. Todo mundo critica o cara do outro lado da rua porque ele fuma, a minazinha da fila do pão porque ela vota no PSDB e o Presidente porque ele curte uns gorós. No fim das contas o papo sempre termina no presidente, né?
Eu queria viver num tempo em que não se fosse criticado por um pouquinho de hedonismo e um montão de sacrifício próprio. Um tempo em que você não estivesse errado só porque você pensa em você mais frequentemente do que no coletivo. Um tempo em que, aliás, a melhor coisa que você podia fazer pelo coletivo era pensar em você. Obviamente divago.
Esses tempos já acabaram. O tempo em que você era permitido morrer com a porra do câncer que você mesmo provocou em paz. Em que a valorização do indivíduo era muito mais importante e bonita do que carregada de culpa. O tempo em que as coisas eram preto no branco. Comunistas versus capitalistas, Beatles versus Beach Boys, o tempo em que você podia cantar “Venus” do Bananarama sem se sentir embaraçado. Ok, esse último é meio improvável.
Eu gosto de pensar que ainda tem gente pensante aí fora. Que a gente ainda não se transmutou completamente em máquinas agindo por um bem comum. Eu gosto de pensar que o único bem comum que existe é aquele de se sentir bem consigo mesmo.

